domingo, 27 de abril de 2014

Função Do Amor?

Ultimamente tenho me debatido com a seguinte questão: porque exigimos tanto do amor?

Regra geral, aceitamos a familia onde crescemos, as amizades que criamos e as outras pessoas que vão passando com mais leveza mas importancia relevante, como por exemplo colegas. Aceitamos porque sabemos, ou aprendemos a lidar com elas. Arranjamos formas de conseguir tirar o melhor partido dessas relações tão naturais e necessárias à nossa vida. Sabemos exactamente até onde conseguimos ir, sabemos o que podemos partilhar com a familia, com os amigos, com os outros e sabemos o que podemos esperar de todos eles.

No amor este processo é muito mais dificil porque somos muito mais intolerantes e claro, exigentes. Queremos partilhar tudo, queremos pedir tudo, queremos fazer tudo, queremos ouvir tudo.

Esta ideia que o namorado/marido é o nosso melhor amigo, o pai que não tivemos, a mãe que não nos ouviu, o irmão que não partilhou, a irmã que não deu o melhor conselho ESTÁ ERRADA. A pessoa com quem decidimos ter uma relação amorosa não é aquilo que as outras pessoas não conseguiram ser nem vem preencher os vazios deixados por outros. Essa pessoa tem um papel nas nossas vidas diferente e da mesma forma que conseguimos lidar com as outras relações, deveriamos também arranjar um mecanismo para tirar o melhor partido do amor que vivemos neste momento.

Não me perguntem qual é porque eu própria ando à procura dele.

PS - Não estou de forma alguma a dizer que não devemos partilhar com o nosso amor as frustrações com os outros nem pedir conselhos sobre um arrufo que tivemos com a nossa melhor amiga: só estou a dizer que da mesma forma que a familia e os amigos têm funções diferentes na nossa vida, o nosso amor também tem a sua. 

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Nymphomaniac Vol I.

- It was about this time that a dramatic change happened inside of me. I could suddenly see a kind of order in the mess. It was all very wrong. I wanted to be one of Jerome's things. I wanted to be picked up and put down again and again. I wanted to be treated by his hands, according to some sophisticated principle that I didn't understand.

- His strong hands?

- Yes, but now it was no longer about his hands. It was different which of course it wasn't, and I knew that in my head. And I scolded myself for seeing in this new light.

- Love is blind.

- No, no, no, it's worse. Love distorts things or even worse, love is something you've never asked for. The erotic was something I asked for or even demanded of men. But this idiotic love... I felt humiliated by it... And all the dishonesty that follows. The erotic is about saying yes. Love appeals to the lowest instincts, wrapped up in lies. How do you say yes when you mean no and vice versa?
I'm ashamed of what I became but it was beyond my control.


in Nymphomaniac Vol I by  

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Comprometes ou Descomprometes?

Ultimamente tenho perdido algum tempo a tentar perceber porque é que o pessoal anda com tanto problema em comprometer-se nas relações amorosas. Até me atrevo-me a dizer que é uma patologia do mundo moderno. 

A primeira conclusão a que chego é que somos mais inseguros do que aquilo que realmente achamos que somos (ou pelo menos admitimos em público). E quando somos inseguros, ou seja com menos confiança em nós próprios do que nos outros, achamos que é mais safe termos muitas hipóteses em aberto: se uma correr mal, temos a outra, ou a outra ou ainda a outra. E se nenhuma destas funcionar, podemos sempre ir ao baú das recordações e tirar de lá alguma coisa.

Segundo: somos uns mimados e como as crianças mimadas que têm tudo (os rapazes, os carrinhos todos e as raparigas os bebés chorões de todos os tamanhos) não exploramos nada. Brincamos 5 minutos com um brinquedo e depressa o pomos a um canto. Em casos de desespero, até o destruímos convictos que em breve os papás compraram outro para substituir a lacuna. Vivemos tudo e todos duma forma muito superficial. Não desmontamos os carrinhos para perceberem como é que funcionam nem fazemos roupinhas novas para as bonecas para perceber se têm outra beleza escondida. 

Como não há duas sem três, ainda encontro outra razão: a expectativa que criamos e elaboramos, seja culpa do marketing que nos invade todos os dias ou dos ideais que a nossa família nos alimentou, à volta do compromisso. Não há duvida mesmo que somos uma geração de "usa e deita fora" - se podemos comprar casa e carro com facilidade, viajar low-cost e decorar a casa todos os anos, porque razão então é que havemos comprometer-nos com pessoas? 

É obvio que isto é tudo muito difícil: será que consigo brincar com este carrinho ou com este boneco até sempre? Mas a verdade é que nada na vida tem de ser eterno. Aliás, nem me atrevo sequer a imaginar o que poderá ser eterno. O que eu gostava mesmo era que estivéssemos todos mais dispostos a explorar, aprofundar conhecimentos e probabilidades em vez de sermos todos tão superficiais e por vezes até mesmo perversos.

Deixamos de seguir as nossas convicções, não enfrentamos os nossos medos nem temos coragem para sair do bando de pássaros que sobrevoa por aí.



terça-feira, 1 de abril de 2014

A Mentira

estamos tão conscientes da mentira que em nada se acredita no(s) dia(s) de hoje.

domingo, 16 de março de 2014

To Be | ser ou estar, eis a questão.

Deixou-se de dizer: namoro com. Já muito raramente se diz: esta/e é a/o minha/meu mamorada/o.
Passamos a ser somente amigos: uns mais especiais do que outros, uns mais coloridos outros mais cinzentinhos, mas não passamos a ter mais do que relações de amizade.

No outro dia ouvia um amigo dizer que ESTAVA com aquela miúda. Fiquei a pensar na escolha do verbo ESTAR e a primeira relação que encontrei foi exactamente com o verbo TO BE que traduzido de inglês para português pode querer dizer SER ou ESTAR.
A verdade é que em português são verbos que querem dizer coisas diferentes - por exemplo, assim de repente defino que ESTAR é mais temporário e SER é mais permanente.

Eu SOU namorada dele e eu ESTOU com ele tem uma força diferente, tem um tempo diferente e uma intenção também diferente.
I am his girlfriend e I am with him já me parecem coisas iguais: forças paralelas e a mesma intenção.

Ao contrário do mundo material, onde nós podemos ESTAR com mais ou menos intensidade e/ou longevidade, no mundo emocional eu prefiro só querer SER, porque ESTAR acho que não dá tempo suficiente para conseguirmos vir a SER - é tudo demasiado passageiro e superficial para ser emocional.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Porque é que vamos ao Altar?

Acabei de ver o filme "Uma boa mulher". Fala acima de tudo sobre o casamento e o que vem com ele. 
Já perto do fim, dois homens falam sobre o assunto, e um diz ao outro:
- Sabes o que significa Altar?
- Não.
- Significa sacrifício: é por isso que levamos a mulher ao Altar.

Fixei o meu pensamento aqui mesmo - Altar: sacrifício, é por isso que levamos uma mulher ao Altar. 
OK, aceito o conceito, mas exactamente a que sacrifício referem-se eles? 
Sacrifício quererá dizer compromisso? Compromisso levará a quê? À priorização? 
O que é isso do casamento? Porque é que temos tanta necessidade em cumprir esse ritual? 
O que é que muda e porque é que muda? Há necessidade de mudar? 
A vida não é uma linha continua, ainda que cheia de curvas, altos e baixos?
Quem é que inventou o casamento? Quem é que definiu as regras? 
Será o casamento nada mais nada menos que um aval? Um certificado? Uma prova de competência? Se sim, para quê?

Não quero de qualquer forma pôr em causa um ritual. Se é ritual é porque tem esse direito, mas confesso que tenho muita dificuldade em perceber exactamente do que beneficiam os seus praticantes. É que acima de tudo, a prerrogativa da vida centra-se, ou pelo menos deve centrar-se na verdade "dar e receber", certo?


Nota: nunca tive como objectivo casar-me, mas também nunca disse que nunca me casarei. Aliás, estive lá muito perto. 

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Carta de amor vazia.

Percebes que alguem deixou de existir na tua vida amorosa quando lhe tentas escrever uma carta de amor e o discurso não flui.

Feliz dia de S. Valentim.


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Dia dos namorados.

Amanhã é o dia dos namorados.

Sejamos nós fãs ou cínicos em relação ao dia 14 de Fevereiro, tenho a certeza que toca a todos e também tenho a certeza que nos lembramos dos namorados que mais influênciaram ou influênciam a nossa vida amorosa. Talvez seja exactamente por isso que o dia é assinalado: para fazermos um balanço do que está bem e do que está mal para a partir de amanhã ser melhor.

O amor é vida e a vida é bela - deixem o amor falar nem que seja uma vez por ano.

Love Out Of The Blue

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Sem rédeas nem redes.

Por várias vezes dei por mim a dizer a amigas minhas que preciso é dum homem que tome conta de mim. O problema aqui é que nunca tinha pensado muito bem neste desejo e nas suas implicações. Via a ideia duma forma sempre muito superficial e romântica do tipo: preocupar-se se já me inscrevi no pilates, ou se não me tinha esquecido ligar à família, ou se passava na mercearia para me trazer os limões que me esqueci para o fricassé, ou mais querido ainda: passar numa florista para me comprar um bouquet de fores silvestres que eu tanto gosto. Tomar conta de mim, assim, simples.

Pois é, tomar conta de alguém é muito, mas muito mais do que isto: permitir que alguém tome conta de nós é para tudo: para o queridinho e para aquilo que nós não conseguimos deixar que se desprenda - largar as rédeas e entregá-las de coração aberto para o que der e vier, deixar que alguém decida o que é melhor. 


Deixar que alguém nos guie não é fácil, aliás deve roçar o impossível, principalmente quando já tomamos como conquistadas uma série de batalhas, as quais não queremos abrir mão delas, nem com rede nem sem ela para nos acolher em caso de queda.




quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Aguentar com paciência.

Finalmente li o texto de Miguel Esteves Cardoso de que toda a gente fala "Como é que se Esquece Alguém que se Ama?".
É sem duvida um texto lindo, cheio de alma e muito carinho. Percebo a sua mensagem, e sem duvida que faz eco cá dentro.

Ele diz:
"É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada."

Eu pergunto: 
- Até onde deve a paciencia chegar? 
- Até onde devemos aguantar a dor? 
- O que é que é preciso aguentar?
- Como é que se aguenta a dor sem sem ouvir conselhos nem procurar por escapes e alternativas?




terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Amo-te Amor.

A facilidade com que se diz AMO-TE tira força ao AMOR. Tudo se ama. Amamos todos. Amamos tudo.

No meu caso, confesso que sou um bocadinho agarrada, até mesmo gananciosa, com este sentimento. Não amo tudo nem amo todos. Aliás, se aprofundar um bocadinho o assunto sobre o que amo chego mesmo a sentir que a minha ideia sobre ele roça o utópico.

E quando Amo, faço-o em silêncio. Não partilho – fica para mim. Acho que se não partilhar tem mais probabilidades de resistir (e claro, se partir algum coração será só o meu – com o dos outros eu não sei lidar muito bem). Também acho que se o verbalizar posso tornar-me ridícula – e eu não sou ridícula, sou muito forte (pelo menos passo a vida a ouvir dizer – és muito forte!).


Pois é, mas o Amor é belo e tudo que é belo é preciso ser mostrado. Vamo-lá ver se duma vez por todas me dispo de preconceitos e ponho o Amor a nu.


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

KARMA.

Karma. Todos falamos de Karma: ou referimos o nosso ou exploramos o de alguém. 
Karma. É a explicação que encontramos para aliviar um fardo que temos de carregar.
Karma. Também é sinónimo das não coincidências.

Eu penso muito nos meus Karmas: tento entender situações difíceis de resolver. É a minha lógica para tudo menos explicável e confesso que me dou bem com isso. Alivia as minhas dores, ajuda-me a ser paciente e a acreditar que em breve algo será mais simples.

Ultimamente tenho pensado no Karma mas noutra perspectiva, não somente no que temos para resolver mas no que estamos a criar para uma próxima vez. Nem tudo de mau ou difícil que nos acontece é Karma, ou seja, somente da nossa responsabilidade. Muitas coisas que nos acontecem e com a qual não sabemos lidar, são-nos alheias naquele momento. O difícil é realmente perceber a diferença.

De qualquer forma, com Karma ou sem Karma todos temos limites: não podemos permitir maldade gratuita e nalguns casos deixar de viver surpresas boas que a vida nos oferece.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Controlar ou não controlar, eis a questão.

Diz-se que a tarefa mais difícil dada ao ser humano é amar. E eu digo que a maior ilusão dada ao ser humano é (a capacidade de) controlar.

Controlar pressupõe confiar e confiar é acreditar - a pergunta que se segue é: acreditamos em nós? Acreditamos que estamos a fazer as coisas certas para chegar onde queremos? 
Acreditamos no que os outros nos dizem? 
Acreditamos no que os outros nos fazem? 
Acreditamos que também temos direito ao bem-bom? 
Acreditamos que a vida é mesmo bela? 

É com certeza muito difícil praticar aquela  teoria do Go With The Flow que tanto se fala mas se começarmos por aceitar que CONTROLAR é uma ilusão, mais facilmente percebemos que o segundo seguinte pode ser tudo ou nada, pode ser bom ou mau.

Como já disse aqui, eu não percebo nada disto nem sei como se faz. A única coisa que sei é que há muita coisa que não funcionou (nem me trouxe paz alguma) porque eu tentava controlar. Por isso, vou (tentar) praticar o exercício ao contrário: vou deixar andar, sem rédeas nem ilusões.


domingo, 26 de janeiro de 2014

Não sei amar.

AMOR não é AMAR e muito menos SABER AMAR. 

Estes últimos tempos tenho divagado muito sobre SABER AMAR e cheguei à conclusão que não sei amar - ponto final paragrafo. 

Sei amar a minha família, sei amar os meus amigos, sei amar a minha vida, sei amar os meus gatos, se tivesse filhos tenho a certeza que também saberia amá-los... sei amar tudo excepto aquele AMOR que parte corações. Esta é a verdade, a minha verdade. 

Com muita frequência falo com amigas e amigos sobre namorados, paixões, relações e nas consequências disto tudo. Eu sei a teoria toda, tenho a informação necessária mas depois... não sei aplicá-la. Baralho tudo, tento controlar (big mistake) e claro, não funciona - antes de começar já acabou porque o amor supostamente devia confortar a tempo inteiro e não parcialmente. Não devia ser permitido ao AMOR partir corações.
 
Ontem falava com uma amiga que me dizia "não passes o tempo a analisar cada virgula, cada gesto, cada expressão facial... todos somos complexos, indecisos e estranhos". Dizia-me também para não procurar por defeitos, para permitir sentir o coração bater forte, viver experiências físicas fortes, com o efeito secundário de sentir medo da perda, ansiedade pelo silêncio e pela ausência. Ela concluía com "dói que se farta, choras muito, mas também faz bem à alma, ao ego e até mesmo à pele - FAZ PARTE!".

É precisamente neste momento que eu percebo que NÃO SEI AMAR. Eu não permito nada disto. Quando começo a namorar acho que estou super certa, já aprendi muito e por isso não vou cometer os mesmos erros. Já estou mais crescida. Já sei tudo e já nada me afecta - claro que não me afecta porque eu não permito o bom e só dou relevância ao mau.  

Há muito anos tive conhecimento de uma pessoa que deixou de saber respirar (problemas graves de saúde, pulmões). Teve de aprender a respirar. Na altura não consegui perceber, mas hoje faz-me todo sentido, porque eu acho que preciso aprender a AMAR - acto simples e involuntário tal como RESPIRAR.
 

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Soma de parcelas.

Aquilo que somos ou parecemos ser aos outros é sempre algo que me interessa, não no sentido "vou mudar porque têm a impressão errada de mim e eu preciso agradar" mas no sentido "interessante a energia que emano aos outros - nunca tinha pensado nisto".
A semana passada passei 5 dias na Alemanha com alguns colegas de trabalho. Estivemos todos numa feira de mobiliário representar a marca portuguesa que divulgamos pelo mundo fora -  se tiverem curiosidade em saber qual é, cliquem aqui
Sempre gostei destes ajuntamentos, aliás, eu adoro ajuntamentos, pessoas, conversas e discussões (no bom sentido, claro) - acabamos por falar de coisas para além do trabalho e como é óbvio, a parte pessoal é sempre assunto central porque ao fim e ao cabo quem é que não gosta de saber da vida dos outros? 

No ultimo jantar em que estive presente veio à tona maridos e namorados. Houve quem contasse como é que encontrou o amor da sua vida, houve quem só ouvisse sem partilhar os seus e houve a parte que me toca a mim - que tipo de namorados é que eu tenho ou tive.

Fiquei então a saber que, e em tom unânime, aos olhos dos meus colegas os meus namorados são todos high fashioned, carinhas larocas da GQ e corpinhos Dolce & Gabanna. Ninguém sequer questionou se procuro inteligência ou sentido de humor, nem imaginam tão pouco ver-me ao lado de miúdos feios e/ou gordos (que devo acrescentar que já tive vários e não gostei menos deles por isso). Houve inclusivamente quem me achasse fútil por ter dito que a primeira impressão que alguém nos transmite é exactamente pelo seu look, isto porque, e de forma generalizada, antes de falarmos com alguém primeiro vemos essa pessoa - se depois nos dão a volta ou não, isso já é outra história.

É claro que fiquei a pensar nisto tudo e desta conversa várias questões colocaram-se-me:
- Será que na minha maneira de ser transmito acima de tudo futilidade?
- Serei fútil? Eu que me achava inteligente, cheia de conteúdo e bastante interessante!
- Serão os meus standards tão altos que os que se encontram à minha volta não imaginam nada menos do que perfeito, independentemente de não fazer ideia o que é a perfeição?
- Serei perfeita aos olhos dos "meus"?
- Será esta a minha aspiração? 
- Será o amor assim tão utópico? 

Já tive vários namorados: bonitos, feios, gordos, magros, louros, morenos e mulatos, inteligentes e espertos, uns mais velhos e outros mais contemporâneos, mas há uma variável constante entre todos eles: a paixão começa sempre com uma bela gargalhada, que inevitavelmente passa à admiração por um detalhe qualquer mas nunca por um todo.

Acho que a vida sabe melhor às parcelas pequeninas. Ainda me lembro de ir à mercearia ao pé da casa dos meus pais buscar as compras para o jantar. Apreciava com atenção o merceeiro apontar em papel pardo todas as parcelas em linha vertical, traçar o risco horizontal e chegar a um valor total. Valor esse que me parecia sempre bonito, correcto e grande, mas sem tão pouco entender a sua grandeza. Pois bem, é assim mesmo que quero ver a paixão e o amor: muitas parcelas pequeninas para chegar a um total bonito, correcto e grande.






quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O mau, o bom e o péssimo.

O mau depressa passa a bom quando o péssimo vem até nós.

Quantas vezes é que chegamos à conclusão que aquilo que era mau afinal era bom porque algo de pior existe em certo momento das nossas vidas? Por exemplo, um chefe que achávamos que era mau, mas depois vem um pior e afinal não era assim tão dramático, ou um namorado que achávamos que era mau mas feitas as análises todas afinal a relação tinha pernas para andar?

Sem duvida que é importante termos os nossos objectivos e quereres bem definidos, mas há que sermos menos exigentes e preciosistas no que toca às relações interpessoais. Com facilidade os preciosismos podem tornar-se armadilhas nos momentos importantes das nossas vidas e o pior é nos apercebemos só quando algo de pior aparece - e aí lamentamos porque já vamos (muito) tarde.

Vou com certeza tentar usufruir mais o momento e projectar menos para o ideal, porque ao fim e ao cabo, ideais não passam disso mesmo: IDEAIS.