Por várias vezes dei por mim a dizer a amigas minhas que preciso é
dum homem que tome conta de mim. O problema aqui é que nunca tinha pensado
muito bem neste desejo e nas suas implicações. Via a ideia duma forma sempre
muito superficial e romântica do tipo: preocupar-se se já me inscrevi no
pilates, ou se não me tinha esquecido ligar à família, ou se passava na
mercearia para me trazer os limões que me esqueci para o fricassé, ou mais
querido ainda: passar numa florista para me comprar um bouquet de fores
silvestres que eu tanto gosto. Tomar conta de mim, assim, simples.
Pois é, tomar conta de alguém é muito, mas
muito mais do que isto: permitir que alguém tome conta de nós é para tudo: para
o queridinho e para aquilo que nós não conseguimos deixar que se desprenda -
largar as rédeas e entregá-las de coração aberto para o que der e vier, deixar
que alguém decida o que é melhor.
Deixar que alguém nos guie não é fácil,
aliás deve roçar o impossível, principalmente quando já tomamos como conquistadas
uma série de batalhas, as quais não queremos abrir mão delas, nem com rede nem sem ela para nos acolher em caso de queda.

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