Ultimamente tenho perdido algum tempo a tentar perceber porque é
que o pessoal anda com tanto problema em comprometer-se nas relações amorosas. Até me atrevo-me a dizer que é uma patologia do mundo moderno.
A primeira conclusão a que chego é que
somos mais inseguros do que aquilo que realmente achamos que somos (ou pelo
menos admitimos em público). E quando somos inseguros, ou seja com menos
confiança em nós próprios do que nos outros, achamos que é mais safe termos muitas hipóteses em aberto:
se uma correr mal, temos a outra, ou a outra ou ainda a outra. E se nenhuma
destas funcionar, podemos sempre ir ao baú das recordações e tirar de lá alguma
coisa.
Segundo: somos uns mimados e como as
crianças mimadas que têm tudo (os rapazes, os carrinhos todos e as raparigas os
bebés chorões de todos os tamanhos) não exploramos nada. Brincamos 5 minutos
com um brinquedo e depressa o pomos a um canto. Em casos de desespero, até o destruímos
convictos que em breve os papás compraram outro para substituir a lacuna.
Vivemos tudo e todos duma forma muito superficial. Não desmontamos os carrinhos
para perceberem como é que funcionam nem fazemos roupinhas novas para as
bonecas para perceber se têm outra beleza escondida.
Como não há duas sem três, ainda encontro
outra razão: a expectativa que criamos e elaboramos, seja culpa do marketing
que nos invade todos os dias ou dos ideais que a nossa família nos alimentou, à
volta do compromisso. Não há duvida mesmo que somos uma geração de "usa e
deita fora" - se podemos comprar casa e carro com facilidade, viajar
low-cost e decorar a casa todos os anos, porque razão então é que havemos
comprometer-nos com pessoas?
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Deixamos de
seguir as nossas convicções, não enfrentamos os nossos medos nem temos coragem
para sair do bando de pássaros que sobrevoa por aí.
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