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sexta-feira, 4 de abril de 2014

Comprometes ou Descomprometes?

Ultimamente tenho perdido algum tempo a tentar perceber porque é que o pessoal anda com tanto problema em comprometer-se nas relações amorosas. Até me atrevo-me a dizer que é uma patologia do mundo moderno. 

A primeira conclusão a que chego é que somos mais inseguros do que aquilo que realmente achamos que somos (ou pelo menos admitimos em público). E quando somos inseguros, ou seja com menos confiança em nós próprios do que nos outros, achamos que é mais safe termos muitas hipóteses em aberto: se uma correr mal, temos a outra, ou a outra ou ainda a outra. E se nenhuma destas funcionar, podemos sempre ir ao baú das recordações e tirar de lá alguma coisa.

Segundo: somos uns mimados e como as crianças mimadas que têm tudo (os rapazes, os carrinhos todos e as raparigas os bebés chorões de todos os tamanhos) não exploramos nada. Brincamos 5 minutos com um brinquedo e depressa o pomos a um canto. Em casos de desespero, até o destruímos convictos que em breve os papás compraram outro para substituir a lacuna. Vivemos tudo e todos duma forma muito superficial. Não desmontamos os carrinhos para perceberem como é que funcionam nem fazemos roupinhas novas para as bonecas para perceber se têm outra beleza escondida. 

Como não há duas sem três, ainda encontro outra razão: a expectativa que criamos e elaboramos, seja culpa do marketing que nos invade todos os dias ou dos ideais que a nossa família nos alimentou, à volta do compromisso. Não há duvida mesmo que somos uma geração de "usa e deita fora" - se podemos comprar casa e carro com facilidade, viajar low-cost e decorar a casa todos os anos, porque razão então é que havemos comprometer-nos com pessoas? 

É obvio que isto é tudo muito difícil: será que consigo brincar com este carrinho ou com este boneco até sempre? Mas a verdade é que nada na vida tem de ser eterno. Aliás, nem me atrevo sequer a imaginar o que poderá ser eterno. O que eu gostava mesmo era que estivéssemos todos mais dispostos a explorar, aprofundar conhecimentos e probabilidades em vez de sermos todos tão superficiais e por vezes até mesmo perversos.

Deixamos de seguir as nossas convicções, não enfrentamos os nossos medos nem temos coragem para sair do bando de pássaros que sobrevoa por aí.