quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Controlar ou não controlar, eis a questão.

Diz-se que a tarefa mais difícil dada ao ser humano é amar. E eu digo que a maior ilusão dada ao ser humano é (a capacidade de) controlar.

Controlar pressupõe confiar e confiar é acreditar - a pergunta que se segue é: acreditamos em nós? Acreditamos que estamos a fazer as coisas certas para chegar onde queremos? 
Acreditamos no que os outros nos dizem? 
Acreditamos no que os outros nos fazem? 
Acreditamos que também temos direito ao bem-bom? 
Acreditamos que a vida é mesmo bela? 

É com certeza muito difícil praticar aquela  teoria do Go With The Flow que tanto se fala mas se começarmos por aceitar que CONTROLAR é uma ilusão, mais facilmente percebemos que o segundo seguinte pode ser tudo ou nada, pode ser bom ou mau.

Como já disse aqui, eu não percebo nada disto nem sei como se faz. A única coisa que sei é que há muita coisa que não funcionou (nem me trouxe paz alguma) porque eu tentava controlar. Por isso, vou (tentar) praticar o exercício ao contrário: vou deixar andar, sem rédeas nem ilusões.


domingo, 26 de janeiro de 2014

Não sei amar.

AMOR não é AMAR e muito menos SABER AMAR. 

Estes últimos tempos tenho divagado muito sobre SABER AMAR e cheguei à conclusão que não sei amar - ponto final paragrafo. 

Sei amar a minha família, sei amar os meus amigos, sei amar a minha vida, sei amar os meus gatos, se tivesse filhos tenho a certeza que também saberia amá-los... sei amar tudo excepto aquele AMOR que parte corações. Esta é a verdade, a minha verdade. 

Com muita frequência falo com amigas e amigos sobre namorados, paixões, relações e nas consequências disto tudo. Eu sei a teoria toda, tenho a informação necessária mas depois... não sei aplicá-la. Baralho tudo, tento controlar (big mistake) e claro, não funciona - antes de começar já acabou porque o amor supostamente devia confortar a tempo inteiro e não parcialmente. Não devia ser permitido ao AMOR partir corações.
 
Ontem falava com uma amiga que me dizia "não passes o tempo a analisar cada virgula, cada gesto, cada expressão facial... todos somos complexos, indecisos e estranhos". Dizia-me também para não procurar por defeitos, para permitir sentir o coração bater forte, viver experiências físicas fortes, com o efeito secundário de sentir medo da perda, ansiedade pelo silêncio e pela ausência. Ela concluía com "dói que se farta, choras muito, mas também faz bem à alma, ao ego e até mesmo à pele - FAZ PARTE!".

É precisamente neste momento que eu percebo que NÃO SEI AMAR. Eu não permito nada disto. Quando começo a namorar acho que estou super certa, já aprendi muito e por isso não vou cometer os mesmos erros. Já estou mais crescida. Já sei tudo e já nada me afecta - claro que não me afecta porque eu não permito o bom e só dou relevância ao mau.  

Há muito anos tive conhecimento de uma pessoa que deixou de saber respirar (problemas graves de saúde, pulmões). Teve de aprender a respirar. Na altura não consegui perceber, mas hoje faz-me todo sentido, porque eu acho que preciso aprender a AMAR - acto simples e involuntário tal como RESPIRAR.
 

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Soma de parcelas.

Aquilo que somos ou parecemos ser aos outros é sempre algo que me interessa, não no sentido "vou mudar porque têm a impressão errada de mim e eu preciso agradar" mas no sentido "interessante a energia que emano aos outros - nunca tinha pensado nisto".
A semana passada passei 5 dias na Alemanha com alguns colegas de trabalho. Estivemos todos numa feira de mobiliário representar a marca portuguesa que divulgamos pelo mundo fora -  se tiverem curiosidade em saber qual é, cliquem aqui
Sempre gostei destes ajuntamentos, aliás, eu adoro ajuntamentos, pessoas, conversas e discussões (no bom sentido, claro) - acabamos por falar de coisas para além do trabalho e como é óbvio, a parte pessoal é sempre assunto central porque ao fim e ao cabo quem é que não gosta de saber da vida dos outros? 

No ultimo jantar em que estive presente veio à tona maridos e namorados. Houve quem contasse como é que encontrou o amor da sua vida, houve quem só ouvisse sem partilhar os seus e houve a parte que me toca a mim - que tipo de namorados é que eu tenho ou tive.

Fiquei então a saber que, e em tom unânime, aos olhos dos meus colegas os meus namorados são todos high fashioned, carinhas larocas da GQ e corpinhos Dolce & Gabanna. Ninguém sequer questionou se procuro inteligência ou sentido de humor, nem imaginam tão pouco ver-me ao lado de miúdos feios e/ou gordos (que devo acrescentar que já tive vários e não gostei menos deles por isso). Houve inclusivamente quem me achasse fútil por ter dito que a primeira impressão que alguém nos transmite é exactamente pelo seu look, isto porque, e de forma generalizada, antes de falarmos com alguém primeiro vemos essa pessoa - se depois nos dão a volta ou não, isso já é outra história.

É claro que fiquei a pensar nisto tudo e desta conversa várias questões colocaram-se-me:
- Será que na minha maneira de ser transmito acima de tudo futilidade?
- Serei fútil? Eu que me achava inteligente, cheia de conteúdo e bastante interessante!
- Serão os meus standards tão altos que os que se encontram à minha volta não imaginam nada menos do que perfeito, independentemente de não fazer ideia o que é a perfeição?
- Serei perfeita aos olhos dos "meus"?
- Será esta a minha aspiração? 
- Será o amor assim tão utópico? 

Já tive vários namorados: bonitos, feios, gordos, magros, louros, morenos e mulatos, inteligentes e espertos, uns mais velhos e outros mais contemporâneos, mas há uma variável constante entre todos eles: a paixão começa sempre com uma bela gargalhada, que inevitavelmente passa à admiração por um detalhe qualquer mas nunca por um todo.

Acho que a vida sabe melhor às parcelas pequeninas. Ainda me lembro de ir à mercearia ao pé da casa dos meus pais buscar as compras para o jantar. Apreciava com atenção o merceeiro apontar em papel pardo todas as parcelas em linha vertical, traçar o risco horizontal e chegar a um valor total. Valor esse que me parecia sempre bonito, correcto e grande, mas sem tão pouco entender a sua grandeza. Pois bem, é assim mesmo que quero ver a paixão e o amor: muitas parcelas pequeninas para chegar a um total bonito, correcto e grande.






quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O mau, o bom e o péssimo.

O mau depressa passa a bom quando o péssimo vem até nós.

Quantas vezes é que chegamos à conclusão que aquilo que era mau afinal era bom porque algo de pior existe em certo momento das nossas vidas? Por exemplo, um chefe que achávamos que era mau, mas depois vem um pior e afinal não era assim tão dramático, ou um namorado que achávamos que era mau mas feitas as análises todas afinal a relação tinha pernas para andar?

Sem duvida que é importante termos os nossos objectivos e quereres bem definidos, mas há que sermos menos exigentes e preciosistas no que toca às relações interpessoais. Com facilidade os preciosismos podem tornar-se armadilhas nos momentos importantes das nossas vidas e o pior é nos apercebemos só quando algo de pior aparece - e aí lamentamos porque já vamos (muito) tarde.

Vou com certeza tentar usufruir mais o momento e projectar menos para o ideal, porque ao fim e ao cabo, ideais não passam disso mesmo: IDEAIS.