Aquilo que somos ou parecemos ser aos outros é sempre algo que me interessa, não no sentido "vou mudar porque têm a impressão errada de mim e eu preciso agradar" mas no sentido "interessante a energia que emano aos outros - nunca tinha pensado nisto".
A semana passada passei 5 dias na Alemanha com alguns colegas de trabalho. Estivemos todos numa feira de mobiliário representar a marca portuguesa que divulgamos pelo mundo fora - se tiverem curiosidade em saber qual é, cliquem
aqui.
Sempre gostei destes ajuntamentos, aliás, eu adoro ajuntamentos, pessoas, conversas e discussões (no bom sentido, claro) - acabamos por falar de coisas para além do trabalho e como é óbvio, a parte pessoal é sempre assunto central porque ao fim e ao cabo quem é que não gosta de saber da vida dos outros?
No ultimo jantar em que estive presente veio à tona maridos e namorados. Houve quem contasse como é que encontrou o amor da sua vida, houve quem só ouvisse sem partilhar os seus e houve a parte que me toca a mim - que tipo de namorados é que eu tenho ou tive.
Fiquei então a saber que, e em tom unânime, aos olhos dos meus colegas os meus namorados são todos high fashioned, carinhas larocas da GQ e corpinhos Dolce & Gabanna. Ninguém sequer questionou se procuro inteligência ou sentido de humor, nem imaginam tão pouco ver-me ao lado de miúdos feios e/ou gordos (que devo acrescentar que já tive vários e não gostei menos deles por isso). Houve inclusivamente quem me achasse fútil por ter dito que a primeira impressão que alguém nos transmite é exactamente pelo seu look, isto porque, e de forma generalizada, antes de falarmos com alguém primeiro vemos essa pessoa - se depois nos dão a volta ou não, isso já é outra história.
É claro que fiquei a pensar nisto tudo e desta conversa várias questões colocaram-se-me:
- Será que na minha maneira de ser transmito acima de tudo futilidade?
- Serei fútil? Eu que me achava inteligente, cheia de conteúdo e bastante interessante!
- Serão os meus standards tão altos que os que se encontram à minha volta não imaginam nada menos do que perfeito, independentemente de não fazer ideia o que é a perfeição?
- Serei perfeita aos olhos dos "meus"?
- Será esta a minha aspiração?
- Será o amor assim tão utópico?
Já tive vários namorados: bonitos, feios, gordos, magros, louros, morenos e mulatos, inteligentes e espertos, uns mais velhos e outros mais contemporâneos, mas há uma variável constante entre todos eles: a paixão começa sempre com uma bela gargalhada, que inevitavelmente passa à admiração por um detalhe qualquer mas nunca por um todo.
Acho que a vida sabe melhor às parcelas pequeninas. Ainda me lembro de ir à mercearia ao pé da casa dos meus pais buscar as compras para o jantar. Apreciava com atenção o merceeiro apontar em papel pardo todas as parcelas em linha vertical, traçar o risco horizontal e chegar a um valor total. Valor esse que me parecia sempre bonito, correcto e grande, mas sem tão pouco entender a sua grandeza. Pois bem, é assim mesmo que quero ver a paixão e o amor: muitas parcelas pequeninas para chegar a um total bonito, correcto e grande.