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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

O amor não é complicado.

Nada é complicado, nem mesmo o amor. 

É frequente dizermos que o amor não é complicado, as pessoas é que são. Pois bem, eu não concordo. Para mim o amor não é complicado nem mesmo as pessoas. Nós somos é egocentristas, egoístas e nada frontais.

Passo a ilustrar:
Quando nos apaixonamos e partilhamos com a pessoa que nos dá borboletas na barriga, mas esta não corresponde (contudo até lhe sabe bem essa admiração) culpa sempre o factor complicação, o quão destroçado está de relações antigas e outros factores da sua vida que não o permitem avançar de coração aberto para a aventura da paixão e do amor. Será assim mesmo? Ou será simplesmente o facto de não se querer comprometer e assim ter de deixar outras paixonetas ao abandono? É obvio que é mais fácil culpar a complicação das nossas vidas e das coisas mal resolvidas. É também obvio preferível deixar tudo em aberto, e assim ser adorado e adorada por todos e todas que de algum forma fazem bem ao EGO. 

Nós encontrámos foi a forma mais subtil de dizer que determinada pessoa não nos preenche na integra. Forma essa que até nem magoa muito o EGO do outro, porque ao fim ao cabo, quem é que não gosta de ter uma paleta variada e paixões por onde escolher? Ninguém!

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Condição: Felina

Há um ano e meio decidi ter pela primeira vez ter gatos cá em casa. Já tive cães, pássaros e peixes, mas gatos nunca tinha tido e as interacções que tive em criança com estes animais foram muito poucas. Haviam muitos lá na rua, mas por acaso nunca me interessei.

Em Londres tinha uma amiga que tinha um gato, o super fofo Pierre. Um gato já bastante idoso, extremamente meigo cujo ronronar mais parecia o motor duma Harley-Davidson. Fui cat-sitter dele várias vezes, sempre que o casal amigo precisava de viajar (que é a maior constante de quem vive em Londres - viajar). Talvez por isso, apeguei-me mais aos felinos e comecei a interessar-me por eles. Entretanto o meu sobrinho decide levar um gato para casa (o Socks), e o meu pai seguiu o exemplo (levou o Kratus). Sem querer, vi-me rodeada de gatos e acabei por me apaixonar por estas criaturas. Depressa decidi adoptar um - e assim chega o Moshi Moshi à minha vida e logo de seguida a Miu Miu

Moshi Moshi, o gato castanho escuro e riscas pretas. Miu Miu, a gata pérola com manchas tigradas em tons cinzentos

O que é que que quero com esta introdução toda a gatos e à entrada deles na minha vida? 
Dizer-vos que, entre muitas coisas interessantes que aprendi com eles, a maior foi sem duvida perceber que somos todos muito mais gatos e muito mais gatas do que aquilo que possamos imaginar. Que a nossa Condição: Humana também é Condição: Felina - só temos é de aprender a largar o que já não faz sentido e deixar os instintos manifestarem-se com mais frequência porque, ao fim e ao cabo, quando se fala em AMOR INCONDICIONAL também se fala na capacidade de não chapinhar naquilo que já não interessa. É exactamente por isso que os gatos se enroscam no nosso colo mesmo depois de lhes ralharmos e os cães nos vêm buscar à porta mesmo depois de os abandonarmos todas as manhãs para ir trabalhar - eles não têm a necessidade de mostrar que têm razão e que ainda estão magoados porque sabem que não ganham nada com isso.

Agora a questão é: E nós? O que é que ganhamos por mostrar que temos (sempre) razão e que ainda estamos magoados porque alguém nos feriu o EGO? 

Legenda da foto do Moshi Moshi e da Miu Miu - tinham estado à bulha por causa dum saco plástico (que acabou por perder o interesse). Entretanto a casa arrefeceu, deitaram-se aos meus pés e enroscaram-se para dormitar - simples!